Crianças Sem Limites – Educação Empreendedora na Primeira Infância

O trabalho da Isabela Minatel Bassi é uma referência para mim como mãe e, mais recentemente, no papel de educadora parental. Desde que vi a sua TED O Mundo sob a Perspectiva da Criança que procuro os seus conteúdos no sentido de enriquecer a minha experiência de relacionamento com as minhas filhas, mas que tem naturalmente repercussão no ser humano que procuro ser e desenvolver.

O conhecimento da Isa Minatel, a facilidade e espontaneidade como comunica, o foco constante na aprendizagem e partilha e simplicidade como desmistifica e esclarece os temas, sempre com a máxima empatia e positividade, levam a que quase todos os dias a acompanhe através dos seus canais para absorver a sabedoria de quem faz da educação positiva uma prática.

No que diz respeito ao Crianças sem Limites, foi uma saga para o encontrar, até descobrir que em Portugal se vendia através da Chiado Books. Como sigo o trabalho da Isa foi na hora que o comprei e num ápice o li.

É um livro repleto de exemplos do nosso quotidiano. Quem tem crianças na primeira infância facilmente se há-de identificar com os contextos reais que a Isa aborda e aprenderá sobre como educar com empatia e firmeza.

Esta é, sem dúvida, uma leitura que aconselho a pais com crianças pequenas.

Já estou ansiosa para que chegue a Portugal o “Temperamento Sem Limites”, acabado de lançar no Brasil.

 

Sinopse

Passamos uma infância inteira buscando colocar limites às crianças e depois, passamos uma vida adulta inteira buscando vencer nossas limitações… Alguma coisa está errada com este modelo.

Crianças que não conseguem se controlar, que nunca ficam satisfeitas, sempre demandando algo novo, fazendo pirraça até conseguir o que querem, crianças que não sabem respeitar pais, professores, pessoas mais velhas… Estas crianças são sempre alvo de comentários do tipo “precisam de limites!”.

Por outro lado, temos crianças sem vida, apáticas, que não querem nada… Obedientes ao extremo. Estas foram limitadas demais.

“Crianças sem limites” vem mostrar uma alternativa para orientar sem destruir, para direcionar sem corromper, para educar com o grande objetivo de potencializar ao máximo a essência de cada criança através da Educação Empreendedora.

Como já disse a grande mestre Maria Montessori: “Disciplina e liberdade estão tão relacionadas entre si que a origem da indisciplina é sempre uma falta de liberdade.”

 

Boas leituras!

Com dois anos e não fala… Será preguiçosa?

otite

 

Com ano e meio ela dizia muito poucas palavras. ‘Pai’, ‘Mãe’ e pouco mais.

Aos dois mantinha um vocabulário muito limitado, mas em todos os indicadores mostrava um bom desenvolvimento e era muito autónoma. A pediatra sinalizou para observação dali a seis meses.

Entretanto aos dois anos e meio regressou para nova avaliação do desenvolvimento da fala. Continuava praticamente igual embora já tentasse dizer mais algumas palavras.

A pediatra recomendou fazer alguns exames – timpanograma e audiograma tonal –  e ser avaliada por um profissional da especialidade. Marcámos consulta com um otorrino pediátrico e percebemos finalmente o que se passava.

A L tinha afinal uma surdez de transmissão, também conhecida como otite serosa, que faz com que ela oiça como se estivesse debaixo de água.

Fez um tratamento durante um mês. Repetiu os exames mas os resultados não registaram alterações. A L é operada hoje para resolver este problema e depois, ouvindo com nitidez, poderá então reproduzir as palavras com clareza.

Durante este tempo o que me marca são os rótulos que, inclusive nós, tão facilmente lhe colocámos à conta deste atraso no desenvolvimento da fala.

Ela sempre foi tão desembaraçada e independente. Praticamente não precisava de pedir porque arranjava forma de ter o que queria, fosse pelo próprio pé, arrastando cadeiras ou trepando pelos móveis, ou através de uma espécie de mímica improvisada, mas que servia para ela se fazer entender.

Tantas vezes ouvimos, e nós mesmos inicialmente chegámos a dizer, que ela tinha era preguiça de falar. Também achámos que como via a irmã a comunicar tão bem, sempre tão eloquente, talvez tivesse optado por se destacar de outra forma.

Pensámos que podia ficar inibida por dizer mal as palavras porque sempre que a incentivávamos a dizer alguma coisa ou repetir ela retraía-se.

Afinal a nossa pequenina não era preguiçosa ou tímida. Habilmente, na verdade, arranjou maneira de contornar um problema que tinha e que fez com que este atraso não fosse identificado mais cedo ou acabasse por ser desvalorizado dado o seu desembaraço.

Serviu-nos esta vivência para sermos mais empáticos com os desafios que as nossas filhas apresentam e procurar ir um pouco mais além do que à primeira vista a situação nos sugere. Sairmos do modo julgamento e rotulagem para questionar e procurar acolhê-las e apoiá-las neste processo, seja ele condicionado por uma circunstância física ou de outra natureza, fortalece a forma como encaram os desafios e aprendem a superar as adversidades, acompanhadas ao invés de rotuladas.

Espero que a L tenha feito ouvidos de mercador aos comentários que foi ouvindo ao longo dos últimos meses. Olhando para ela, tão bem disposta e autónoma, até aqui a tagarelar ao jeito dela, creio que sim.