Aceitas ‘O Convite’?

Convite

 

Não me interessa qual é o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se te atreves a sonhar e alcançar os desejos do teu coração.

Não me interessa que idade tens. Quero saber se arriscas fazer figura de louco por amor, pelo teu sonho, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se as traições da vida te abriram ou se murchaste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor.

Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua, se consegues dançar loucamente e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo próprio; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma; se consegues não ter fé e seres, por isso, digno de confiança.

Quero saber se consegues ver a beleza todos os dias, mesmo quando o que vês não é bonito, e se consegues basear a tua própria vida na sua presença.

Quero saber se consegues viver com o fracasso, teu e meu, e mesmo assim erguer-te à beira do lago e gritar “Sim!” à lua-cheia prateada.

Não me interessa saber onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até aos ossos, consegues levantar-te e fazer o que é preciso para alimentar as crianças.

Não me interessa quem tu conheces, nem como chegaste aqui. Quero saber se ficarás comigo no centro do fogo, sem recuares.

Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais desaba à tua volta.

Quero saber se consegues estar só contigo mesmo e se verdadeiramente gostas da companhia que te fazes nos momentos vazios.

 

Este é O Convite de Oriah. Ouvi-o pela primeira vez lido pela Sara Morgado no final da primeira aula do Curso de Desenvolvimento Pessoal e Psicologia Positiva na Educação que iniciei este mês. Depois de momentos intensos de autoconhecimento e partilha, este “convite” fechou com chave de ouro um dia pleno de aprendizagem e encontro com a minha própria essência.

E mais não digo, porque O Convite diz tudo!

 

À mana, à mi… muah! Há surpresas quando a mais nova participa nas reuniões de família…

Reconhecimento

 

Ela tem pouco mais de dois anos e meio, mas fazemos questão que participe nas nossas reuniões de família semanais.

É muito novinha e sabemos que o seu contributo é limitado, mas queremos que desenvolva o sentimento de pertença e por isso não esperamos que adormeça para reunirmos e falarmos dos temas em pauta.

Ela lá está, connosco, onde pertence e a queremos, entre nós. Às vezes está mais quieta, outras vezes irrequieta, mas está.

Numa destas semanas tivemos uma surpresa…

Como é hábito começamos as reuniões de família com agradecimentos e reconhecimentos. A B por norma decide a ordem de quem usa da palavra. A L também gosta deste momento e fica muito entusiasmada quando é a vez dela de falar, embora, à excepção de sorrir e enumerar-nos um a um, não faça propriamente reconhecimentos. Ou antes, não fazia…

De alguma forma ela parece ter compreendido melhor a dinâmica do que julgaríamos possível com a sua idade, porque desta vez na vez dela, foi capaz de dizer:

À mana, à mi… muah. (tradução: a mana deu-me um beijinho).

Perguntámos:

Que bom! E gostaste que a mana te desse um beijinho, é isso?

– É.

E continua…

– À pai, à mi, à mana, eh, eh… à Cai. (tradução: o pai levou-me a mim e à mana a ver o Tiago)

– Foi bom o pai levar-te hoje a veres o teu amigo? Tinhas saudades dele?

– É…

E olha-nos enternecida.

Mais enternecidos ficámos nós ao perceber que, apesar de tão pequena, uma vez envolvida nas dinâmicas de família, ela não só compreende a intenção do que fazemos como, afinal, também é capaz de participar e fazer reconhecimentos de uma forma tão assertiva.