Permite-te!

 

Permite-te redefinires-te, redesenhar e decorar a vida com novas texturas e cores que te alegrem o olhar.
Permite-te fazeres inversão de marcha, seguir por atalhos, percorrer arriscados trilhos e alterares o teu percurso desbravando o sentido de novos caminhos.
Permite-te mudares de ideias, construir novas sementeiras, ser feliz noutras fronteiras.
Permite-te tirar os chapéus que já não se encaixam, as roupas que há muito deixaram de servir e os sapatos que de usados deformaram o tua postura, a tua forma de estar e sentir.
Permite-te crescer, expandires-te e transformares-te nesse voo que arrepia e liberta.
Permite-te desaprender quem já foste, se já não reconheces a velha pessoa, os antigos saberes, os sonhos de outrora em quem és na verdade agora.

Na vida cada um que vem traz algo, permanece algum tempo e parte

A festa da vida

 

Uma pessoa põe-se a caminho. Olhando à sua frente, vê ao longe a casa que lhe pertence e caminha para lá. Ao chegar, abre a porta e penetra num salão preparado para uma festa.

A essa festa compareceram todos aqueles que foram importantes na sua vida. Cada um que vem traz algo, permanece algum tempo, e parte. Cada um traz um presente especial, cujo preço total já pagou, de uma forma ou de outra.

Assim vêm: a sua mãe, seu pai, seus irmãos, um avô, uma avó, os tios e as tias ― todos os que lhe cederam lugar, todos os que cuidaram de si ― vizinhos, talvez, amigos, professores, parceiros, filhos… Todos os que foram importantes na sua vida, e que ainda são importantes.

Cada um que vem, traz algo, permanece algum tempo, e parte. Assim como os pensamentos vêm, trazem algo, permanecem algum tempo, e partem. Como os desejos e os sofrimentos vêm, trazem algo, permanecem algum tempo, e partem. Como também a vida vem, nos traz algo, permanece algum tempo, e parte.

Terminada a festa, aquela pessoa fica em sua casa, cheia de presentes. Junto dela só permanecem aqueles aos quais convém ficar mais um pouco. Ela vai à janela, olha para fora e avista outras casas.

Sabe que nelas um dia também haverá uma festa. Também ela comparecerá, levará algo, ficará algum tempo, e partirá.

Nós também estamos aqui numa festa: trouxemos algo, recebemos algo, ficaremos ainda algum tempo, e partiremos.

 

Esta é “A Festa”, do livro “No centro sentimos leveza”, escrito por Anton “Suitbert” Hellinger, conhecido simplesmente como Bert Hellinger – psicoterapeuta alemão e criador das Constelações Sistémicas.

O texto em si diz tudo. Todos, de alguma forma contribuímos com a nossa existência e a nossa presença para a vida de outros, que nos são mais ou menos próximos, com maior ou menor impacto.

De igual forma, outros contribuem, com o que nos trazem para esta nossa vida de construção e surpresas, que um dia se inicia mas também acaba. Nada é fixo e nada é permanente, ainda assim, nesta passagem deixamos sempre algo a alguém, levamos sempre algo connosco também.

O que nos têm trazido? O que estamos nós a dar àqueles que partilham connosco esta Festa?