Nancy Edison – A coragem de uma mãe que mudou o rumo da História

Encorajamento

 

Um certo dia, o pequeno Thomas chegou em casa com um bilhete para a sua mãe.

Ao entregar-lhe disse-lhe:

– O meu professor deu-me este papel para lhe entregar apenas a si.

Ao ler a carta os olhos da mãe lacrimejavam. Preocupado o pequeno Thomas perguntou o que dizia a carta.

Ela resolveu ler-lhe em voz alta:

“O seu filho é um génio. Esta escola é muito pequena para ele e os professores não estão ao seu nível. Por favor, ensine-o você mesma”

Depois de muitos anos, Thomas Edison tornou-se um dos maiores inventores do século.

Após a morte de sua mãe, quando arrumava a casa viu um papel dobrado no canto de uma gaveta.

Para sua surpresa era a antiga carta que seu professor havia mandado para a sua mãe. Contudo, o conteúdo era diferente do que sua mãe lhe havia lido há alguns anos. Dizia:

“O seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos deixá-lo vir mais à escola”

Edison chorou durante horas e então escreveu no seu diário: “Thomas Edison era uma criança confusa, mas graças a uma mãe heroína e dedicada, tornou-se o génio do século.”

Chegou mais tarde a afirmar: “Sou o resultado do que uma grande mulher quis fazer de mim”.

 

Nancy Edison, assim se chamava esta mãe que com a sua influência positiva e encorajamento mudou o rumo, não só da vida do seu tão amado filho, mas o rumo da História.

O seu amor incondicional permitiu ver valor onde outros viam dificuldades inultrapassáveis.

A sua coragem moldou o espírito empreendedor e criativo desta criança que não ficou confinada a rótulos, mas ousou sonhar mais alto, criar o impossível, bastando para isso acreditar que era não um atrasado mental mas… um génio!

Ler esta história verídica lembra-me de uma outra frase que procuro ter sempre presente:

“As palavras que diriges ao teu filho tornam-se a sua voz interior”.

A professora não me ensina isso

Raiva

 

Ao início da noite, depois de preparar o jantar, chamei as meninas para a mesa.

Assim que a B chegou à cozinha perguntou:

O que é o jantar?

– Strogonoff.

– Boa!… Mas espera, fizeste com arroz?!?!

– Sim.

– Mas eu não queria arroz!!!!

– Mas habitualmente faço com arroz ou esparguete.

Intensificou o tom da reclamação:

EU NÃO COMO!!!

– Como queiras, mas sentas-te connosco à mesa se faz favor. Gostamos de ter a família junta para comer.

– EU NÃO QUERO!!! – Dizia aos berros e a chorar.

 

Eu pensava para os meus botões: “Mas que raio… É só arroz! Não é primeira vez que come arroz e nunca foi um drama!”

A custo lá se sentou à mesa. Continuou a reclamar mas aos poucos começou a moderar o tom.

Para redirecionar a atenção, perguntei:

Como foi a escola hoje?

– Mais ou menos…

– Então? Mas passou-se alguma coisa?

– Não sei se devo contar. Vais ficar triste comigo…

– Contigo não, talvez com alguma coisa que tenhas feito, mas só saberemos quando me contares.

– Sabes, eu hoje portei-me mal.

– Queres contar-me o que se passou?…

– Eu estava a brincar com a minha amiga às irmãs e ela começou a dizer: “A mana é chata! A mana é chata!”. Estava sempre a repetir e não me disse que estava a brincar. Eu irritei-me e fui até ela e tapei-lhe a boca com as mãos. Quando a larguei ela ficou muito chateada e disse-me que estava só a brincar e foi contar à professora o que eu fiz. Disse que eu a estava a sufocar. Mas não estava!

Dizia a soluçar entre o choro.

Compreendes que a podes ter magoado porque estavas com raiva, certo?

– Sim…

– E o que disse a professora?

– Ficou muito chateada comigo e disse que se voltasse a acontecer ia chamar-vos à escola.

– Ficaste com medo que a professora nos chamasse à escola?

– Ela ia dizer mal de mim e eu não quero!

– Se a professora precisar de nos chamar à escola não há problema. Nós sabemos quem tu és e não estamos aqui para te castigar ou fazer sentires-te mal. Estamos aqui para te ajudar a encontrares soluções para os teus problemas e ensinar-te a lidares com o que sentes. Sabes isso, não sabes?

– Sei, mãe…

– Tinhas medo que o pai e a mãe fossem chamados à escola porque pensaste que nós ficávamos chateados ou o que te chateia é que a tua professora fique tão zangada que diga que nos vai chamar?

– Não gosto que pensem mal de mim. Fico triste quando a minha professora fica desapontada comigo e não quero que isso aconteça.

– Compreendo… Mas às vezes é assim que os adultos lidam com estas situações. Agora diz-me, depois de magoares a tua amiga o que fizeste?

– Eu pedi desculpa mas ela ficou chateada na mesma…

– É normal, quando ficamos chateados não passa logo. Temos de dar tempo para acalmar e depois resolver. Mas fizeste bem em pedir desculpa e tentar resolver. De qualquer forma, se calhar é importante perceber o que podes fazer de diferente da próxima vez que te sentires irritada.

– Mas eu não me consigo controlar!

– Eu sei que nem sempre consegues. Eu também não consigo sempre. Mas é uma questão de treino e perceberes quando estás a ficar nervosa com as situações.

– Quando ficas com raiva onde sentes a raiva, tens ideia?

– Hummmm… Não sei…

– Pelo que vejo em ti, começas a fechar as mãos e fazer força aí. É para onde vai a tua raiva. Daí apertares as tuas amigas, tapares a boca, empurrares. Usas as mãos com força. Ahh, e também mordes o lábio de baixo. Tens noção disto?

– Acho que é isso que acontece comigo…

– Podes, por exemplo, explicar às tuas amigas que quando te irritas fazes isto e combinar com elas uma palavra secreta para dizerem quando virem sinais em ti de que te estás a irritar. Assim avisam-te e podes tentar controlar-te. Achas boa ideia?

– Mais ou menos… Eu não consigo controlar a raiva.

– Eu sei. Eu também tenho dificuldade. Mas não há mal em sentir raiva. A raiva é uma emoção que aparece e se deres tempo desaparece também. Precisamos é de aprender o que fazer quando ela surge e é isso que acho importante ires aprendendo para não te magoares nem aleijares ninguém. Acho que podias falar com a tua professora sobre isso também. Talvez ela possa ajudar os meninos com algumas ideias.

– Acho que não, mãe. A professora não me ensina isso.

– Talvez tu possas então levar estas ideias e falar com a professora. Assim da próxima vez que uma situação destas acontecer pode ser que te consiga ajudar e ajudar outros meninos.

– Mãe, acho que tens de lá ir à escola para falares com a professora sobre esta situação.

– Acho que sim, meu amor.

– Mãe, achas que posso comer um gelado depois do jantar.

– Sabes qual é a regra: só há gelado quando se come o jantar todo, inclusive o arroz.

 

E lá comeu todo o arroz. Porque afinal, o problema não estava no arroz. O arroz foi o pretexto para o manifestar, sem o fazer diretamente, o que tinha entalado na garganta e tinha receio de falar. Mas ainda bem que falou e ainda bem que a podemos ajudar.