Disciplina sem Dramas | Educar com base nas neurociências (simples e acessível)

 

Sempre que me pedem uma recomendação de livro para quem quer saber mais sobre parentalidade positiva sugiro o livro Disciplina sem Drama do Dr. Daniel Siegel e da Dra. Tina Payne Bryson, editado em Portugal pela Lua de Papel.

Por norma, nos workshops e palestras que realizo levo sempre comigo o Disciplina Positiva, da Jane Nelson e Lynn Lott, que é a base das sessões que oriento. Mas não sendo este comercializado em Portugal, para quem quer realmente aprofundar-se nestes estudos e na prática de uma parentalidade mais empática, sem dúvida que este é o livro por onde começar, e é um dos livros que também me acompanha.

Nesta obra, não só os autores nos dão as bases para melhor compreendermos os comportamentos e reações das nossas crianças e as nossas, explicando o funcionamento do cérebro de uma forma clara e perfeitamente acessível, como aliam estratégias práticas, auxiliadas por exemplos muito simples, com que facilmente nos identificamos, para gerirmos os muitos desafios com que nos deparamos na educação e formação dos nossos filhos e, ao mesmo tempo, treinar com eles competências socio-emocionais essenciais para construirmos uma vida interior mais consciente  e relações mais saudáveis e positiva com quem nos rodeia.

A minha experiência de leitura

Lembro-me perfeitamente que quando o li senti que este era um livro que me apetecia sublinhar do princípio ao fim, de tal forma toda aquela informação é preciosa (sim, sou dessas que sublinha, faz notas, dobra cantos de folhas e trinta por uma linha). A cada linha toda aquela confusão que tantas vezes é educar uma criança, lidar com as birras, a oposição, os amuos, etc… parece ficar mais arrumada na nossa cabeça. Compreendemos as causas dos comportamentos, somos desafiados a manter-nos numa posição de curiosidade perante as necessidades que expressam e a responder empaticamente, por muito que o nosso instinto mais primitivo nos instigue a punir ou controlar no imediato aquela criatura que nos afronta mas que em simultâneo é das pessoas que mais amamos neste mundo.

É exatamente esse amor que nos leva a querer aprender mais com este livro e conhecer formas de nos auto-regularmos para ajudarmos as nossas crianças a re-integrarem o “piso de baixo” (emocional) com o “piso de cima” (racional). Quando conseguimos manter uma harmoniosa ligação entre os “pisos” do nosso cérebro e o fomentamos nos nossos filhos as sementes de uma inteligência emocional, permitimos o resgate da sua dimensão mais primitiva e reativa (luta fuga ou bloqueio) e aumentamos a possibilidade de aprenderem habilidades e conquistarem novas competências.

Na prática

Este livro também me recorda uma situação que vivi com a minha mais nova, na altura com pouco mais de 2 anos, em que ela, ao ver o desenho da capa, me pergunta:

– Mãe, és tu e a mana?

– Não, meu amor. Porquê?

– Porque tu fazes assim para falar com a mana.

Ainda agora, ao lembrar-me desta pequena conversa, fico de coração cheio. Mesmo muito pequenina, ela reparou que quando preciso de ser mais firme com a mana, baixo-me ao nível dela, olho-a nos olhos, dou-lhe as mãos e então falamos. Uma das formas de nos conectarmos com os nossos filhos antes de corrigirmos o seu comportamento.

 

Disciplina sem DramasSINOPSE

Está na casa de amigos quando o seu filho começa uma birra épica. O que vai fazer? Castigá-lo? Dar-lhe um sermão? Qualquer das soluções pode funcionar naquele momento. Mas os efeitos a longo prazo serão praticamente nulos. E passado pouco tempo, terá de enfrentar nova crise, mais gritaria e desgaste…Acontece que o cérebro das crianças e adolescentes é muito diferente do nosso. E o modo como reagem a berros, palmadas, ou a castigos clássicos é o contrário do que esperamos. Neurologicamente, nesses momentos de tensão, os filhos nada aprendem, logo, tendem a repetir o erro à primeira oportunidade.

As crianças só apreendem a mensagem quando as conseguimos acalmar. É esse o primeiro passo.

Depois, em vez de se aplicar um longo e inútil sermão é preciso usar poucas palavras, incisivas e firmes. E o mais importante é repetir a história: atiraste o prato, estragaste os cereais. Nessa altura, elas percebem. E é nessa altura que os pais podem redireccionar o comportamento da criança na direcção pretendida. As técnicas, desenvolvidas pelo professor catedrático Daniel J. Siegel e pela pediatra Tina Payne Bryson, refletem os últimos desenvolvimentos na neurociência. Destinam-se a incentivar mudanças, a longo prazo, no comportamento dos seus filhos, ajudando-os a ser felizes.

Sobre este livro, Daniel Goleman refere:

“Qualquer adulto ficará feliz por poder aplicar este método, qualquer criança sairá a ganhar”

Boas leituras!

Liliana Ferreira

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