Fazer da gratidão um ritual diário

Ser grato

 

Onde existe gratidão não há espaço para queixume, reclamações e/ou mediocridades. A gratidão é uma das bases para uma vida plena e feliz.

O ser grato pelo que a vida nos dá direciona-nos o foco para o que nela há de positivo, aligeirando os dores, problemas e dificuldades que, mantendo-nos em modo ‘sobrevivência’, tendemos a ruminar e, assim, fazer crescer em nós.

Não é que o que existe de negativo deixe de existir, mas se lhe tiramos o foco, enfraquece, porque deixa de ser alimentado pela nossa atenção.

Com a prática e o hábito, a gratidão a que dirigimos a nossa atenção passa a alimentar o nosso otimismo, a perseverança e a resiliência perante as adversidades, ao mesmo tempo que nos torna mais recetivos a descobrir novos caminhos e possibilidades, a explorar a nossa criatividade na resolução dos problemas e confiar nas nossas capacidades e tudo o mais que só ao futuro pertence.

Como sabemos que o estado de gratidão não é algo inato e que, por isso mesmo, requer treino, por casa, além de semanalmente, fazermos os reconhecimentos e agradecimentos a cada membro na reunião de família, passámos também a, diariamente, partilhar algo pelo qual somos gratos nesse dia.

Podemos agradecer pelas coisas mais simples – como ter estado sol e por isso pudemos brincar no parque, ter encontrado um amigo, um abraço que recebemos, um sorriso, uma comida, um gesto generoso… – ou algo diferente e marcante que tenha acontecido – como ter tido uma boa nota, ter participado num evento especial, ter aprendido algo novo, ter conquistado alguma coisa,…

À primeira vista pode parecer fácil agradecer, mas o que constatámos – pelos menos os adultos de casa – é que não é tão fácil assim, pelo menos no início.

Dizemos ‘Sou grata por…’ e o que se segue é ‘hummmmm…’.

Se não estamos habituados a pensar no que reconhecemos de bom na nossa vida, temos mesmo de pensar um bocadinho. Já para as mais pequenas, este processo parece ser bem mais fácil. Estou em crer que o olhar delas está menos turvado à gratidão do que o nosso.

O nosso ritual ‘Sou grato por…’ antecede o beijo de ‘Boa noite’ e embala-nos com boas energias para uma noite de descanso e reparação.

Deixamo-vos esta ideia como desafio. Experimentem. Alimentem a vossa alma de gratidão. Dirijam a vossa atenção para o que é positivo e vos faz sentir bem. Façam-no também com as vossas crianças. Irão surpreender-se com as respostas delas.

Afinal, não são as pessoas felizes que são gratas. São as pessoas gratas que são felizes. E ser grato é uma habilidade que também se treina.

A Coragem de Ser Imperfeito

De fio a pavio este livro de Brené Brown foi uma autêntica revelação. A Coragem de Ser Imperfeito (Editora Nascente) trouxe-me consciência do quão transversal e enraizada está a vergonha na nossa vida, não só a nível individual mas enquanto cultura social.

Absorvi cada ensinamento. Cada tópico levantado pela autora colocava o dedo na ferida e fez-me perceber o quão impreparados estamos para aceitar e conviver com as nossas vulnerabilidades e o quanto isso nos afasta da nossa essência e das nossas relações. E tudo começa na educação, propagando-se pelas restantes esferas da nossa vida. A grande maioria de nós lança-se à vida com armaduras e escudos, procurando-nos proteger, mas o que tantas vezes conseguimos é simplesmente entorpecer os movimentos e os sentimentos que nos podem levar a uma vida mais plena.

A Coragem de Ser Imperfeito é um livro que nos convida à autoconsciência, à reflexão, ao questionamento, à revisão de crenças, à aceitação, à mudança e à transformação.

Se ainda não estiverem motivados para ler o livro assistam à TED que projectou mundialmente Brené Brown.

 

Entretanto, para aguçar a curiosidade, partilho o Manifesto de Plenitude para Criar Filhos que a autora inclui neste livro e que espelha tudo o que espero conseguir trazer para a minha família.

 

Antes de mais, quero que saibas que é amado e que tens capacidade de amar.

Aprenderás isso através das minhas palavras e acções – as lições sobre o amor têm que ver com a forma como eu te trato e como eu me trato a mim mesma.

Quero que abordes o mundo sob a perspectiva do merecimento.

Aprenderás que és digno de amor, pertença e alegria sempre que me vires a praticar o auto-compaixão e a aceitar as minhas próprias imperfeições.

Praticaremos a coragem na nossa família ao aparecermos, ao deixarmos que nos vejam e honrando a vulnerabilidade. Partilharemos as nossas histórias de dificuldades e força. Em nossa casa haverá sempre espaço para ambas.

Vamos ensinar-te a compaixão ao praticarmos compaixão primeiro connosco e depois uns com os outros. Vamos estabelecer e respeitar os limites; vamos honrar o trabalho árduo, a esperança e a perseverança. O descanso e a diversão serão valores familiares, bem como práticas familiares.

Vais aprender sobre responsabilidade e respeito ao me veres-me cometer erros e corrigi-los, e ao vendo como peço aquilo de que preciso e falo sobre como me sinto.

Quero que conheças a alegria, para que juntos pratiquemos a gratidão.

Quero que sintas alegria, para juntos aprendermos a ser vulneráveis.

Quando a incerteza e a escassez surgirem, vais ser capaz de ir buscar forças ao espírito que é uma parte da tua vida diária.

Juntos, vamos chorar e enfrentar o medo e o sofrimento. Vou Vou querer fazer desaparecer a tua dor, mas em vez disso vou sentar-me contigo e ensinar-te a senti-la.

Vamos rir e cantar, dançar e criar. Teremos sempre permissão para sermos nós próprios um com o outro. Aconteça o que acontecer, vais sempre pertencer aqui.

Ao começares a tua jornada de plenitude, a maior dádiva que te posso dar é viver e amar de todo o coração e ousar ser grande.

Não vou ensinar ou amar ou mostrar nada na perfeição, mas vou deixar que me vejas e vou sempre considerar sagrada a dádiva de te ver a ti. Ver-te verdadeira e profundamente.

       Este manifesto está disponível na versão original em www.brenebrown.com.

 

Sinopse

Ter a coragem de ser imperfeito é querer mudar a manei

ra como conduz a sua vida, o amor, o trabalho e a família.

Você vive evitando emoções como o medo, a mágoa ou a desilusão.

Fechando as portas ao amor e aos outros. Defendendo-se a todo o custo de eventuais erros e fracassos.

Se é assim que você vive, então não está a usufruir das experiências marcantes que dão significado à vida. Exponha-se! Abra-se a novas experiências e será uma pessoa mais autêntica e realizada.

Aprenda a aceitar a sua vulnerabilidade e a vencer a vergonha. Ousar ser quem é pode conduzi-lo a uma vida mais plena.

 

Boas leituras!