Quando ensinamos o valor da superação vs competição

Running

 

Este fim-de-semana o Nuno participou numa corrida à noite. Como era próximo de casa eu e as meninas fomos com o pai para o apoiar.

A L (2 anos) entusiasmada com a novidade de estar a assistir a uma corrida e ver todo aquele ambiente de esforço de quem corre e apoio de quem assiste, batia palmas a praticamente todos os corredores que por nós passavam.

A B (5 anos) não achou que a mana estivesse correta e chamou-lhe à atenção:

– Não é para bateres palmas a todos. É só ao pai!

Percebi que era uma boa oportunidade para ensinar algo sobre superação, altruísmo e cooperação às minhas filhas.

A B reagiu como a maior parte de nós reage neste mundo onde a competição está mais do que enraizada e até é enaltecida. A sociedade faz-nos acreditar que há um ‘nós VS os outros’ e eu acredito que a educação pode reverter essa perceção tão egocêntrica e transformá-la em algo mais unificador e positivo.

Foi então que me dirigi à B:

– Sabes filha, a mana não está a fazer nada de mal, até pelo contrário. Não faz mal apoiarmos os corredores porque todos eles, como o pai, estão a correr não para serem melhores do que os outros mas para serem melhores do que foram anteriormente. O pai não está a correr contra eles. Está a competir consigo mesmo. O pai corre para ser melhor corredor a cada corrida que faz, para se superar, e não para ganhar aos outros. Por isso é muito bom apoiarmos o pai a superar as metas que ele coloca para si. Dá-lhe mais força se contar connosco do seu lado a motivá-lo. Mas também é muito bom, se podermos, levar esse apoio a outras pessoas. Nós não perdemos nada com isso. Na verdade todos ganham mais. Aliás, já viste quantos corredores estão nesta corrida? Só um pode realmente ficar em primeiro. Nem por isso todos os outros que não subirem ao pódio vão ficar tristes. Participaram e superaram-se e essa é a grande vitória.

A partir daí, a meu lado passei a ter duas entusiastas a vibrar com cada pessoa que passava por nós, a aplaudir e a gritar ‘Boa!!!’. Até os participantes das caminhadas tiveram direito a palavras de incentivo destas duas apoiantes.

Esta situação fez-me lembrar as palavras de Maria Montessori:

As pessoas educam para a competição e esse é o princípio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz.

A corrida dos sapinhos – uma fábula sobre motivação

Desde cedo é essencial transmitirmos às crianças competências de desenvolvimento pessoal. Motivá-las com o acesso às melhores práticas de autoconhecimento e valorizar o que de melhor têm e são é meio caminho andado para que construam uma vida plena e feliz.

Ainda que pareçam muito pequenas é possível começar a construir pouco a pouco personalidades fortes, focadas, resilientes, destemidas, sonhadoras, confiantes, compassivas e autênticas.

As histórias infantis, pelo impacto que têm no imaginário de referência das crianças, podem ser neste caminho um preciso aliado.

A Corrida de Sapinhos – uma fábula de Monteiro Lobato que  descobri há pouco tempo e que a minha filha mais velha me pede de vez em quando para contar – ensina-nos que quando queremos muito algo há que manter o foco e acreditar que somos capazes, independentemente de todas as vozes contra que se cruzem no nosso caminho e as crenças que se instalam com o intuito de nos desmotivar.

Precisamos de ter coragem e determinação para atingir os nossos objetivos e alcançar os nossos sonhos.

Era uma vez…

…uma corrida de sapinhos. O desafio propunha que subissem uma grande ladeira. De ambos os lados uma imensa multidão assistia entusiasticamente à corrida.

No arranque da competição a multidão gritava:

– Não vão conseguir! Não vão conseguir!

Os sapinhos esforçavam-se mas pouco a pouco alguns não resistiam e abandonavam a corrida. A multidão continuava:

– Não vão conseguir! Não vão conseguir!

E os sapinhos, um a um, continuavam a desistir…

No final da corrida, todos os sapinhos desistiram… Todos, menos um que conseguiu, tranquilo e sem esforço, chegar ao cima da grande ladeira.

Eufórica a multidão queria saber como é que o sapinho tinha atingido aquele feito. Quando lhe foram perguntar descobriram que o sapinho não tinha ouvido nada do que diziam durante o decorrer da corrida. Afinal o sapinho era… surdo!