Os pais que queremos hoje a educar os adultos que teremos no amanhã

separação
Esta é a história de Billy Flynn, pai de dois meninos e divorciado, que no dia de aniversário da sua ex-mulher ajudou os filhos a prepararem um dia especial à mãe. Questionado sobre o motivo de tal gentileza (esta entre outras habituais) este pai justificou-se desta forma num post publicado na sua página de Facebook:

Estou a criar dois pequenos homens. O exemplo que eu dou pela forma como trato a mãe deles vai moldar de forma significativa a maneira como eles veem e tratam as mulheres e vai afetar a perceção deles sobre os relacionamentos. Acho que até mais no meu caso, porque somos divorciados. Então, se não estiver a ser um bom exemplo de comportamento para os seus filhos, faça  o que tem que fazer. Supere-se e seja um modelo para eles.
Crie homens bons. Crie mulheres fortes. O mundo precisa deles, agora mais do que nunca.

Numa entrevista dada à posteriori este pai revelou ainda:

No início do divórcio não foi fácil. As coisas não correram como desejávamos. Mas tivemos de superar as nossas diferenças e focar-nos nas crianças em vez de nos concentrarmos na nossa fúria e ressentimentos. Não é fácil mas é possível!

Este post rapidamente se tornou viral e a razão é simples: trata-se de um caso raro, uma forma rara de ser e de estar que deveria ser mais comum do que de facto é.

Sou casada (e bem, tenho a sorte). Não vivo, felizmente, este conflito na primeira pessoa, mas já me deparei muitas vezes com situações de separações que se desenrolaram de forma bem diferente à de Billy Flynn que trago como exemplo.

Quantas vezes testemunhamos casos em que no foco dos pais não estão as crianças e os seus reais interesses, mas o amor-próprio ferido, sentimentos recalcados, egos inflamados e até o escárnio que se teme de outros se não se mostrar uma postura intransigente? E as crianças, entre o que se sofre e o que se pretende fazer sofrer àquele que tanto se amou, são armas de arremesso ao dispor de quem mais as deveria proteger.

Quantas vezes presenciamos situações em que notoriamente o discernimento do ex-casal está toldado pela mágoa, ao invés de se centrar num amor maior, que deveria apaziguar a inimizade e ressentimento? O orgulho, a ‘honra manchada’, incha-os de presunção e envolve-os numa rede de pseudo-razões sobre as quais se constrói uma torre de marfim em que ninguém mais cabe para além dos próprios.

Nesse cego furacão de egos perde-se facilmente o respeito entre duas pessoas que até determinada altura partilharam um sonho comum, mas pior que isso. Imprime-se nas permeáveis mentes dos mais pequenos um lastro de mágoas e pesares que em nada dignificam a missão de qualquer pai. Povoa-se os seus corações com despeito e ofensas que carregarão como referência para a vida.

É compreensível que, no rol de alterações que se abate sobre a vida de quem se decidiu ou se sentiu forçado a separar da sua, até então, ‘cara metade’, muitas emoções potencialmente destrutivas surjam, fruto da negação ou de ilusões legítima ou ilegitimamente criadas. Mas senti-las não tem de ser sinónimo de reagir destrutivamente. O desejável seria nesses momentos reconhecer o que se sente e aceitar que a seu tempo a dor acabará por passar. Até lá reagir adequadamente, em função de um bem maior, deveria ser a prioridade dos adultos envolvidos.

Num momento de crise como é o da separação de um casal, há que cuidar para que desta encruzilhada surja uma nova oportunidade de crescimento e elevação, enquanto pais e seres humanos que somos. Há que cuidar, essencialmente, em cultivar o exemplo que previne a desertificação dos melhores valores e melhores atitudes no coração dos nossos filhos.

Frederick Douglass é o autor destas tão sensatas e adequadas palavras:

É mais fácil construir crianças fortes do que consertar homens quebrados.