As Cinco Linguagens do Amor para Crianças

Amar, só por amar, não parece ser suficiente para fazer florescer relações. Isto porque há várias formas de exprimir e sentir amor, e nem sempre nos sentimos entendidos na forma como nos exprimimos ou conseguimos compreender o amor que outros nos dão, sejam eles marido/esposa/companheiro/a, filho/a, pai/mãe, ou outros.

Eu falo português. Se o meu marido e/ou as minhas filhas falarem chinês, por muito amor que haja, pode ser difícil entendermo-nos no dia-a-dia. Se não procurar conhecer e compreender a língua que eles falam e eles a minha, o mais provável é que, volta não volta, surjam mal entendidos e conflitos.

Gary Chapman definiu 5 expressões básicas de amor que, no nosso caso conhecemos, ao ler As Cinco Linguagens do Amor para Crianças, mas que também podem ser descobertas na sua versão para adultos.

Vamos detalhá-las um pouco e tentar descobrir qual é a nossa linguagem de amor preferencial (também pode ser mais do que uma). Talvez também consigam identificar a linguagem que os vossos companheiros/as e filhos/as mais valorizam.

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Contacto Físico

Esta linguagem expressa-se através da necessidade de abraçar e acariciar. Todos os momentos são oportunos para manifestar a afeição através do toque. Podemos simplesmente colocar a mão em cima do ombro ou nas costas, dar a mão, fazer uma carícia, dar um beijo…

Presentes

É uma linguagem que vai para lá da oferta superficial. Quem fala esta linguagem gosta de agradar quem ama oferecendo presentes especiais, não necessariamente em datas específicas, mas em qualquer momento, embora valorizem os presentes em Dia de Aniversários, Natal e outros dias que arrebatam o coração. Escolhem com cuidado pensando em todos os pormenores. De igual forma sentem-se valorizados quando recebem estes mimos de amor.

Palavras de Apreço

Esta e a minha linguagem de eleição. Palavras ditas e escritas que expressam carinho, atenção, paixão, reconhecimento, genuína partilha, é o que nos motiva, inspira e nos arrebata. Quem não gosta de as ouvir? Uns mais do que outros é certo. Se para uns parece que as palavras saem naturalmente, outros há que parece que têm de ser arrancadas a ferros. Notoriamente, neste último caso, as palavras não são a sua linguagem de amor. Quem valoriza esta linguagem de amor também interpreta de forma mais intensa palavras de crítica.

Actos de servir

Todos gostamos de receber pequenos cuidados e gentilezas, mas há quem valorize bastante o facto de que cuidem de si ou o cuidar dos outros. Para estas pessoas o serviço é um verdadeiro ato de amor. Atenções como fazer aquela comida especial, cuidar das roupas, consertar algo que se partiu, preparar um banho relaxante,… podem ser vistas como uma mensagem de amor preciosa e encher o depósito de estima como nenhuma outra linguagem.

Tempo de qualidade

Costuma-se dizer que tempo é o bem mais precioso que podemos oferecer aos que amamos. Quando reservamos aqueles momentos para nos focarmos naquela pessoa, para estarmos verdadeiramente com ela, sem distrações ou interrupções, estamos a mostrar-lhe que ela é verdadeiramente importante na nossa vida, que é uma prioridade. Para quem valoriza o tempo de qualidade, se esse tempo não lhe for reservado, pode sentir-se preterida face a outras prioridades, que não é importante, logo não é amada.

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Compreender que sentimos e expressamos amor de formas diferentes e que valorizamos manifestações diferentes de um sentimento tão universal, ajuda-nos a melhor nos relacionarmos com as necessidades das pessoas que amamos e a mostrar-lhes o que valorizamos numa relação. Ao invés de recriminações e cobranças podemos empreender esforços para conhecer melhor a linguagem das pessoas que amamos e melhorar as nossas relações.

 

Sinopse

Cada criança, como qualquer adulto, exprime e recebe melhor o amor através de um dos cinco diferentes estilos de comunicação. Tal verdade pode virar-se contra os pais que falam linguagens diferentes dos seus filhos. Contudo, quando devidamente preparados, as mães e os pais podem utilizar esta informação para os ajudar a satisfazer as necessidades emocionais mais profundas dos seus filhos.

Pode aprender a falar fluentemente a linguagem do amor do seu filho.

E aprenda o que pode fazer para transmitir de forma eficaz sentimentos de respeito, afecto e compromisso incondicionais que têm eco na alma do seu filho através de As Cinco Linguagens do Amor das Crianças.

 

Boas leituras!

Boatos e mentiras são penas lançadas ao vento

pena

 

Um mestre andava preocupado com o comportamento de um dos seus discípulos, que tinha o mau hábito de criticar publicamente os colegas, inventando boatos e mentiras. As palavras imprudentes daquele discípulo eram fonte de grandes conflitos.

Num dia ventoso o mestre convidou-o a fazer uma caminhada. E pediu-lhe que transportasse um saco às costas. Caminharam, em silêncio, até ao castelo da cidade. O João estranhou que o saco fosse tão leve, mas não fez perguntas.

Na torre mais alta do castelo o mestre ordenou:

– Abre o saco e deita fora o seu conteúdo.

O discípulo obedeceu. Viu que se tratava de um saco cheio de penas, que voaram para longe, ao sabor do vento. Passado pouco tempo, recebeu nova ordem:

– Desce e recolhe todas as penas, uma por uma, e volta a colocá-las no saco vazio.

O discípulo tentou perceber para onde tinham voado as penas e concluiu depressa:

– É impossível fazer o que me pede.

Então o mestre afirmou:

– As penas são como as tuas palavras imprudentes.

– O que quer dizer com isso?

– Não podes recolher as penas que voaram com o vento nem podes voltar atrás com as palavras que saíram da tua boca e espalharam boatos e mentiras sobre os teus colegas. O mal está feito. Pensa, antes de falar.

 

Recordei-me deste conto a propósito do Papa Francisco ter classificado recentemente “a coscuvilhice” como um acto terrorista, alegando que a “má-língua” é como uma faca que mata.

“É grave viver com comunicações não autênticas, porque impedem relações recíprocas e amor ao próximo”, ressalvando que “onde há uma mentira, não há amor”.

 

Sugiro que todas as vezes que nos sentirmos tentados a falar sobre alguém devemos passar a informação pelas 3 peneiras de Sócrates. A saber:

Verdade – Tens certeza de que o que vais contar é absolutamente verdadeiro?

Bondade – O que me vais contar é algo bom ou positivo? Algo que gostarias que outros também dissessem a teu respeito?

Utilidade – A informação é útil? Serve para ajudar alguém ou melhorar alguma coisa?

Se o que tivermos a dizer não for verdadeiro, bom ou útil, então devemos aprender a ficar calados, lembrando-nos que:

Pessoas sábias falam sobre ideias,

Pessoas comuns falam sobre coisas,

Pessoas medíocres falam sobre pessoas.

Amuletos de amor para o regresso às aulas… e outros desafios que os pequenos enfrentam

 

Todos nós nos deparamos com dias mais desafiantes de quando a quando. Dias que nos tiram da zona de conforto, que nos exigem mais, que aguçam ou expõem as nossas fragilidades. Dias em que somos confrontados com o que desconhecemos e simplesmente preferíamos manter-nos no nosso casulo. Nessa altura recorremos o melhor que podemos a estratégias mais ou menos elaboradas para aumentar a nossa autoconfiança. Erguemos a cabeça e seguimos em frente, mesmo sentindo o coração tropeçar a cada passo. Isto somos mais ou menos nós, os adultos…

Mas quando a situação se passa com uma criança, como fazemos para aumentar o seu conforto, para a tranquilizar? Como a fazemos crer que aconteça o que acontecer ‘está tudo bem’? Que estratégias temos para a apoiar, especialmente naqueles dias que não vamos poder estar ao seu lado o tempo todo, a segurar-lhe a mão?

Com a B há algum tempo que utilizamos um recurso que a tem ajudado a enfrentar com mais confiança os desafios dos dias mais difíceis.

Há 3 anos, como presente de Dia da Mãe, a B, na altura com 3 anos, ofereceu-me uma pulseira em macramê com uma pedra da cor dos seus olhos. Desde desse dia que é raro tirá-la do pulso. A única exceção acontece apenas nestes dias difíceis que ela enfrenta.

A primeira vez que a senti insegura e temerosa foi no dia em que foi para a nova escola do pré-escolar, deixando os amigos que a acompanhavam há dois anos. Sabia que apesar da espontaneidade dela e da sua capacidade de socialização aquele primeiro dia, num novo espaço, com adultos e crianças estranhas, deixava-a intimidada. Quando a fui deixar de manhã ela abraçou-se a mim e disse que não queria ali ficar. Eu tinha de ir trabalhar e sabia que ela rapidamente se ambientaria, mas precisava de a ajudar a sentir-se confortável e confiante. Recordei-me então de uma história que tinha lido, a de um pequeno guaxinim. Procurando adaptá-la ao contexto, lembrei-me que podia transformar a minha pulseira, que ela sabia ser tão especial, num amuleto de amor que nos unia às duas. Tirei a pulseira do pulso enquanto ela olhava com estranheza para o que estava a fazer e disse-lhe:

– Sabes que a mãe adora esta pulseira porque sempre que olho para ela me lembro de ti e dos teus lindos olhos, e também porque foi um presente que me deste com muito amor. Ter esta pulseira comigo aquece-me o coração porque me faz sentir que estou sempre contigo, esteja onde estiver.

E perguntei-lhe:

– Queres hoje ficar com a minha pulseira? Acho que ela te vai ajudar a lembrar que apesar de ficares nesta escola que não conheces com pessoas que te são estranhas, não ficas só. Assim, há um pouco de mim que fica contigo.

O rosto dela, até então temeroso, iluminou-se num sorriso.

Pedi-lhe para ter o cuidado de não a tirar porque era uma pulseira muito especial, mas sempre que durante o dia se sentisse mais triste ou assustada podia olhar para ela e tocar na pedra. Essa pedra iria lembrar-lhe do grande amor que sinto por ela e dar-lhe força até que nos voltássemos a ver ao fim do dia.

Assim foi nesse dia. E no dia em que participou numa pecinha de teatro apresentada noutra escola… E no dia em que foi de passeio, para fora… E no dia em que a mãe de uma amiguinha da escola a levou para lanchar e passar a tarde com as amigas na casa dela… E no último dia do pré-escolar em que ia falar ao microfone e participar nas marchas com toda a gente a assistir. Foi também assim nesta segunda-feira, em que passados quinze dias em que esteve permanentemente connosco durante as férias, voltou à escola, mas não à que conhecia. Foi para a escola dos ‘crescidos’, ao lado da Pré, onde vai frequentar o 1º Ciclo.

Enquanto me afastava pude ouvi-la entusiasmada a explicar porque é que a mãe lhe tinha confiado a pulseira que trazia no pulso.

Fui-me embora tranquila, com o pulso mais leve, mas de coração cheio.

 

Para quem tiver curiosidade, se quiser inspirar ou simplesmente ler às suas crianças, esta é a história do pequeno guaxinim*:

Era uma vez um guaxinim chamado Chester, que vivia na floresta com a sua família. Chegou o mês de Setembro e a escola estava quase a começar. Mas o Chester não queria ir para a escola! Ele gostava tanto, mas tanto da sua mãe, que não queria separar-se dela… Por isso andava triste, assustado e angustiado, com a ideia de que o dia de ir para a escola estava mesmo quase a chegar.

A mãe explicou-lhe que a nova escola era muito bonita e nova a professora muito amiga, mas não adiantou nada… O Chester continuava triste e preocupado!

Até que chegou o grande dia e a mãe, ao vê-lo triste, contou-lhe um segredo muito antigo, chamado “um beijo na mão”.

Com muita ternura abriu-lhe a mãozinha e beijou-a carinhosamente. O Chester sentiu o calorzinho do amor da mãe, que subiu da mão para o braço e do braço para o coração e ficou logo a sentir-se melhor.

“Quando estiveres triste ou assustado, encosta a mão ao teu coraçãozinho e verás que logo ficas bem!” disse-lhe a mãe.

E assim foi. O Chester foi para a escola contente e tudo lhe correu bem, pois sabia que podia separar-se da sua mãe, porque o amor dela irá sempre com ele, no seu coração, para onde quer que ele vá!

 

*adaptação da história original A Kissing Hand for Chester Raccoon de Audrey Penn