A boneca viajante de Kafka e as suas lições

 

Conta-se que certo dia, estariam Kafka e a namorada a passear juntos num parque no bairro onde viviam, em Berlim, quando viram uma menina a chorar. Kafka terá ficado curioso para saber o que teria acontecido para deixar a menina tão desconsolada. A razão era simples, a menina havia perdido a sua única boneca. Para animá-la, Kafka disse que não se preocupasse porque a boneca estava apenas a viajar.

Como sabe? – terá questionado a menina.

Ela escreveu-me uma carta. – respondeu Kafka.

Onde está a carta? – perguntou ela.

Está em minha casa, mas posso trazê-la amanhã.

Comprometido com mentira que acabara de contar, Kafka escreveu uma cartinha e levou-a ao parque no dia seguinte, onde a menina o esperava.

Na carta, a boneca explicava o porquê de ter partido para viajar, justificando a troca da sua amada dona por uma aventura.

A correspondência terá se prolongado por três semanas, tendo Kafka entregado pontualmente à menina outras cartas, que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo.

Segundo a namorada, que o via se fechar-se em casa para escrever as cartas, Kafka punha tanto esforço nas mensagens da boneca viajante quanto dedicava à sua literatura.

Decidir um destino final para a boneca terá sido uma tarefa especialmente dura. Quando Kafka decidiu terminar com os encontros presenteou a menina com uma nova boneca, obviamente diferente da boneca original. Numa carta que a acompanhava explicou:

As minhas viagens transformaram-me…

Muitos anos depois, a menina, então já jovem, encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca que Kafka lhe entregara. Em resumo, dizia:

Tudo o que amas, eventualmente perderás, mas, no fim, o amor retornará de uma forma diferente.

 

Não se sabendo ao certo se se tratará de uma história verídica, o que se sabe é que foi publicada em vários jornais e acabou por inspirar o escritor Jordi Sierra i Fabra a escrever a premiada obra “Kafka e a Boneca Viajante”.

A nós esta história inspira-nos a no dia-a-dia estarmos atentos a oportunidades para contribuirmos para melhorar a vida de alguém, desconhecido ou não, transformando a realidade, por vezes amarga e insensível, numa versão mais doce e solidária, usando os pós de perlimpimpim da imaginação.

Por mais dura que seja a realidade, há sempre como apoiar e consolar num momento de perda, de tristeza, de desânimo, tornando aquele momento um pouco mais leve, mais positivo. Talvez não consigamos ser tão criativos como Kafka terá sido, mas entre encolher os ombros, ou oferecer o ombro a alguém, preferimos a segunda opção.

Importa também reter a última mensagem desta história e eventualmente mais marcante – Tudo o que amas, eventualmente perderás, mas, no fim, o amor retornará de uma forma diferente – porque de facto assim é. A realidade está em permanente mudança. Nada é fixo, nada é permanente. O que hoje temos, amanhã talvez já não tenhamos mais. Talvez se altere. Talvez desapareça. E não é algo que na maior parte das vezes possamos controlar. Ainda assim, com a consciência da inevitabilidade da mudança, talvez nos apazigue simplesmente confiarmos que a vida nos compensará reequilibrando a perda/dádiva e, desta forma, proporcionando novas transformações e aprendizagens.

As Cinco Linguagens do Amor para Crianças

Amar, só por amar, não parece ser suficiente para fazer florescer relações. Isto porque há várias formas de exprimir e sentir amor, e nem sempre nos sentimos entendidos na forma como nos exprimimos ou conseguimos compreender o amor que outros nos dão, sejam eles marido/esposa/companheiro/a, filho/a, pai/mãe, ou outros.

Eu falo português. Se o meu marido e/ou as minhas filhas falarem chinês, por muito amor que haja, pode ser difícil entendermo-nos no dia-a-dia. Se não procurar conhecer e compreender a língua que eles falam e eles a minha, o mais provável é que, volta não volta, surjam mal entendidos e conflitos.

Gary Chapman definiu 5 expressões básicas de amor que, no nosso caso conhecemos, ao ler As Cinco Linguagens do Amor para Crianças, mas que também podem ser descobertas na sua versão para adultos.

Vamos detalhá-las um pouco e tentar descobrir qual é a nossa linguagem de amor preferencial (também pode ser mais do que uma). Talvez também consigam identificar a linguagem que os vossos companheiros/as e filhos/as mais valorizam.

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Contacto Físico

Esta linguagem expressa-se através da necessidade de abraçar e acariciar. Todos os momentos são oportunos para manifestar a afeição através do toque. Podemos simplesmente colocar a mão em cima do ombro ou nas costas, dar a mão, fazer uma carícia, dar um beijo…

Presentes

É uma linguagem que vai para lá da oferta superficial. Quem fala esta linguagem gosta de agradar quem ama oferecendo presentes especiais, não necessariamente em datas específicas, mas em qualquer momento, embora valorizem os presentes em Dia de Aniversários, Natal e outros dias que arrebatam o coração. Escolhem com cuidado pensando em todos os pormenores. De igual forma sentem-se valorizados quando recebem estes mimos de amor.

Palavras de Apreço

Esta e a minha linguagem de eleição. Palavras ditas e escritas que expressam carinho, atenção, paixão, reconhecimento, genuína partilha, é o que nos motiva, inspira e nos arrebata. Quem não gosta de as ouvir? Uns mais do que outros é certo. Se para uns parece que as palavras saem naturalmente, outros há que parece que têm de ser arrancadas a ferros. Notoriamente, neste último caso, as palavras não são a sua linguagem de amor. Quem valoriza esta linguagem de amor também interpreta de forma mais intensa palavras de crítica.

Actos de servir

Todos gostamos de receber pequenos cuidados e gentilezas, mas há quem valorize bastante o facto de que cuidem de si ou o cuidar dos outros. Para estas pessoas o serviço é um verdadeiro ato de amor. Atenções como fazer aquela comida especial, cuidar das roupas, consertar algo que se partiu, preparar um banho relaxante,… podem ser vistas como uma mensagem de amor preciosa e encher o depósito de estima como nenhuma outra linguagem.

Tempo de qualidade

Costuma-se dizer que tempo é o bem mais precioso que podemos oferecer aos que amamos. Quando reservamos aqueles momentos para nos focarmos naquela pessoa, para estarmos verdadeiramente com ela, sem distrações ou interrupções, estamos a mostrar-lhe que ela é verdadeiramente importante na nossa vida, que é uma prioridade. Para quem valoriza o tempo de qualidade, se esse tempo não lhe for reservado, pode sentir-se preterida face a outras prioridades, que não é importante, logo não é amada.

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Compreender que sentimos e expressamos amor de formas diferentes e que valorizamos manifestações diferentes de um sentimento tão universal, ajuda-nos a melhor nos relacionarmos com as necessidades das pessoas que amamos e a mostrar-lhes o que valorizamos numa relação. Ao invés de recriminações e cobranças podemos empreender esforços para conhecer melhor a linguagem das pessoas que amamos e melhorar as nossas relações.

 

Sinopse

Cada criança, como qualquer adulto, exprime e recebe melhor o amor através de um dos cinco diferentes estilos de comunicação. Tal verdade pode virar-se contra os pais que falam linguagens diferentes dos seus filhos. Contudo, quando devidamente preparados, as mães e os pais podem utilizar esta informação para os ajudar a satisfazer as necessidades emocionais mais profundas dos seus filhos.

Pode aprender a falar fluentemente a linguagem do amor do seu filho.

E aprenda o que pode fazer para transmitir de forma eficaz sentimentos de respeito, afecto e compromisso incondicionais que têm eco na alma do seu filho através de As Cinco Linguagens do Amor das Crianças.

 

Boas leituras!