Se queres explorar a Comunicação Não Violenta começa por este livro

Comunicação Não Violenta - Deixe de ser simpático, Seja verdadeiro!

Sendo eu uma pessoa da Comunicação e muito curiosa quanto a propostas de Desenvolvimento Pessoal, já há algum tempo que tinha vontade de explorar a Comunicação Não Violenta (CNV). Deu-se a ocasião quando numa feira do livro encontrei o Deixe de Ser Simpático, Seja Verdadeiro (A essência da comunicação não violenta), de Thomas d’Ansembourg, editado em Portugal pela Pergaminho.

Ainda ficou uns meses na prateleira até que em Fevereiro resolvi pegar-lhe. Bendita a hora. A abordagem da CNV, desenvolvida por Marshall Rosenberg, e tão bem explicada e exemplificada com uma série de casos reais por Thomas no seu livro, trazem um desafio que se diria muito simples – afinal é um processo de 4 passos – e, ainda assim, tão difícil de colocarmos em prática. Não duvido no entanto que valha muito a pena.

Vamos por partes… Em que consiste o processo?

Perante uma situação externa ou interesse com que nos deparamos a CNV convida-nos a:

OBSERVAR

Sem julgamentos, críticas, comparações, rótulos,… A ver a realidade tal como é.

Ainda só vamos na primeira etapa e quão difícil não é observar os factos desta forma, sem as mais diversas lentes que a nossa mente se habituou a usar?

IDENTIFICAR OS SENTIMENTOS

Que emoções me suscita esta situação? Será raiva, tristeza, decepção, frustração, alegria, vergonha, medo, surpresa, mágoa,… E tantos, tantos mais sentimentos que afloram em nós a todo o instante…

Poderá parecer simples mas a maior parte de nós somos é analfabeta emocional, o que quer dizer que sobre as nossas emoções sabemos o mínimo elementar, porque a literacia emocional nem sequer é algo que seja culturalmente valorizada, e nem sequer somos verdadeiramente educados para prestarmos atenção ao que sentimos. Na verdade, crescemos a negar emoções, a reprimi-las e a evitá-las.

IDENTIFICAR AS NECESSIDADES

Por detrás de cada sentimento existe uma necessidade. A emoção dá-nos informação valiosa sobre se as nossas necessidades estão ou não atendidas. Se nos sentimos bem, provavelmente estarão. Mas se algo faz acionar o alerta das emoções e sentir-nos mal, então há ali alguma necessidade que precisa da nossa atenção. Mas como chegar a ela, se na maior parte das vezes até temos dificuldade em perceber o que realmente sentimos? Quando não conseguimos reconhecer as nossas necessidades não atendidas e satisfazê-las de uma forma consciente, por certo alguém irá sofrer, ou os outros ou nós próprios, ou todos.

PEDIR

Todo o processo culmina então no pedido, ou na ação, que determinada situação exige. Este pedido só pode ser verdadeiramente eficaz se respeita o atendimento das necessidades do indivíduo e abre espaço ao encontro com o outro, de forma positiva, empática e negociável, em vez das tão banais exigências que promovem as defesas e conflitos.

Então este processo é tão “simples” quanto isto: Observar » Identificar o sentimento » Descodificar as necessidades » Pedir. E talvez por ser tão simples, seja tão desafiador. Exatamente porque nos convida a rever a nossa educação, a cultura instalada, os preconceitos, os juízos de valor, os rótulos, as generalizações e tanto mais que está enraizado nos nossos hábitos, uma mudança que não se espera que venha dos outros, mas que nasça de nós, ao partirmos à descoberta das nossas emoções e sentimentos e das necessidades que é preciso desenterrar no interior de cada um de nós.

Por fim, convida-nos a formular o pedido assertivo, expressando na primeira pessoa, sem apontar o dedo, o que realmente queremos. Esta é uma exigente empreitada para a vida que, acredito, pode de facto ser um caminho para relações, connosco próprios e com os outros, de maior conexão, compaixão, autenticidade, integridade, construindo verdadeiramente uma cultura de empatia, cooperação e paz.

Se o pouco que aqui vos trouxe vos parece interessante, mergulhem neste livro e nesta prática.

 

SINOPSE

Somos, muitas vezes, mais hábeis a dizer umas verdades aos outros do que a exprimir-lhes simplesmente a verdade do que se passa connosco. Aliás, não aprendemos a tentar compreender o que se passa com eles. Aprendemos antes a sermos complacentes, a usarmos uma máscara, a desempenharmos um papel. Ganhámos o hábito de dissimular o que se passa em nós a fim de comprarmos o reconhecimento, a integração ou o conforto aparente, em vez de nos exprimirmos tal como somos. Aprendemos a cortar connosco para estarmos com os outros. A violência no dia-a-dia é desencadeada por este corte: a não escuta de si leva, mais cedo ou mais tarde, à não escuta do outro, o não respeito por si leva, mais cedo ou mais tarde, ao não respeito pelo outro. Este livro tem como objetivo despertar-nos da nossa inconsciência. É urgente sermos mais conscientes da nossa maneira de pensar e agir.

Ilustrando os seus objetivos com exemplos duros, o autor explica como a nossa tendência para ignorarmos ou desconhecermos as nossas próprias necessidades nos incita a exercermos violência sobre nós e a repercutir essa violência nos outros. Para evitar resvalar para uma espiral de incompreensão, temos de reconhecer as nossas necessidades e sermos nós a cuidar delas, em vez de nos queixarmos do facto de ninguém lhes dar importância. Este livro é um convite a desmontar a mecânica da violência, onde ela se desencadeia diariamente: na consciência e no coração de cada um de nós.

Confesso que, entretanto, fiquei de tal forma entusiasmada com esta primeira incursão pela CNV, que já tenho lá por casa o “Comunicação Não Violenta”, de Marshall Rosenberg para ler e aprofundar. Mas sobre ele falarei num outro artigo.

Boas leituras!

Liliana Ferreira

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