Somatização ou como as emoções se transformam em doenças fisícas

Somatização

 

Tenho uma amiga que sempre que se irritava à brava ficava com dores de estômago.
A ansiedade pode provocar fortes palpitações e arritmias. Há quem julgue estar a sofrer um ataque cardíaco quando na verdade está a sofrer de um ataque de pânico.
Enxaquecas e dores de cabeça são muito frequentes em pessoas que lidam com muito stress.

Estes são apenas alguns exemplos do que é a somatização e o efeito que provoca. Estranha palavra, não é?

Somatização o que é?

Basicamente somatização acontece quando as emoções que sentimos são de tal forma intensas e/ou regulares, que ao não conseguirmos geri-las, se manifestam através de dores físicas e doenças. Algumas episódicas e sem grande relevância, mas outras podem tornar-se bastante graves e mesmo crónicas.

Dores de cabeça, fadiga, palpitações são os sintomas mais frequentes mas a somatização pode também potenciar o surgimento, reaparecimento ou agravamento de doenças como gastrites e úlceras, passando pelas doenças cardiovasculares e mesmo cancro, prejudicando ainda a forma como o organismo reage na recuperação.

Corpo e mente não são dissociáveis, aliás, estão em intrínseca relação. Desengane-se quem pensa que estados emocionais reprimidos, mal geridos ou recalcados só nos afetam a nível psíquico.

O equilíbrio necessário

O nosso corpo produz hormonas por orientação do nosso cérebro que, regido por determinados estados emocionais, pode desencadear uma maior ou menor libertação de substâncias importantes para nos regular a nível físico (são exemplo a adrenalina, cortisol e serotonina). Ora se o nosso ecossistema entra em desequilíbrio químico não será muito difícil perceber que ficará mais vulnerável a sofrer agressões. Porque nestes estados o sistema imunológico é dos primeiros a ficar em baixo, o que condiciona as defesas de todos os outros sistemas.

 

“O que não dizemos acumula-se no corpo, transformando-se em noites sem dormir, nós na garganta, nostalgia, dúvidas, insatisfação e tristeza. O que não dizemos não morre… mata-nos!”

– Mahatma Ghandi –

 

As emoções podem ser realmente tóxicas para nós. Não devemos pensar que suportamos tudo e que se não gerirmos as emoções elas acabam por passar. Qual panela de pressão, de alguma forma, elas haverão de se manifestar, se não for em perturbações psíquicas e mentais, será através da nossa saúde física.

O autoconhecimento para ajudar na gestão das emoções

É importante por isso procurar conhecermo-nos o melhor que podemos para aprendermos a gerir as nossas emoções e a canalizá-las de uma forma adequada e saudável, percebendo que ferramentas e válvulas de escape nos ajudam a aligeirar determinadas formas de ser e estar. Falarmos sobre o que nos perturba com familiares, amigos ou conhecidos com que nos sentimos à vontade, ou mesmo, se necessário, com um profissional. Esta é uma boa forma de projectar o que sentimos e, com ajuda, conseguirmos descobrir soluções ou pelo menos algum apoio para melhor resolvermos os nossos problemas emocionais, antes que mais tarde ou mais cedo, se tornem físicos.

Liliana Ferreira

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