7 formas da ansiedade infantil se manifestar

Ansiedade Infantil

 

A ansiedade infantil não é uniforme em todas as crianças. Não se manifesta em todas as crianças da mesma forma, aliás, tal como não se manifesta de igual forma na maior parte dos adultos.

Muitas vezes os comportamentos que vemos nas crianças não é algo que associemos de imediato a ansiedade infantil mas esta pode muito bem ser a causa para muitas atitudes que podemos não estar a compreender nos nossos filhos.

Imaginem uma criança que faz perguntas repetitivas e, não importa quantas vezes lhe responda, ele volta a repetir a mesma pergunta para se tranquilizar. Ou uma criança que tem um comportamento irrepreensível na escola mas chega a casa e constantemente arranja brigas com os pais ou com os irmãos. Ou aquela que tem fortes acessos de raiva. Quiçá conhece alguma criança que tem dificuldades em concentrar-se, motivar-se e pode até ter dificuldade em dormir à noite…

 

7 Formas de Ansiedade Infantil

O comportamento ansioso pode de facto manifestar-se de várias formas. Estas são as identificadas pelo site GoZen:

1| Raiva

A ansiedade ocorre quando há uma percepção exagerada de uma ameaça percebida (por exemplo, um teste ou uma festa) e uma percepção diminuta das habilidades para lidar com a situação (por exemplo, a ideia de que “Não consigo lidar com isto.”). Quando nossos filhos estão crónica e excessivamente preocupados e não se sentem com as habilidades necessárias para controlar a ansiedade, acabam por sentir-se desamparados. O desamparo leva à frustração que pode manifestar-se como raiva.

A raiva e a ansiedade também são ativadas no centro de ameaças do cérebro. Quando o cérebro percebe uma ameaça, a amígdala (comando emocional) ativa a resposta de luta, fuga, ou bloqueio que inunda o corpo com hormonas de forma a torná-lo mais forte e mais rápido. Essa sabedoria genética protege-nos de ameaças e perigos. Como a raiva e a ansiedade são ativadas na mesma região do cérebro e têm padrões fisiológicos semelhantes (respiração rápida, coração acelerado, dilatação das pupilas, etc.), é possível que quando a criança sentir que há uma ameaça (por exemplo, ter um teste), a reação de luta associada raiva seja ativada como uma forma de defesa.

A saber também que um dos marcadores de ansiedade generalizada é a “irritabilidade”, que também faz parte da família da raiva.

2| Dificuldade em dormir

Não conseguir adormecer ou ter um sono intermitente é um sintoma muito característico de ansiedade.

Em muitas crianças os pensamentos ansiosos mantêm-nas acordadas durante muito tempo quando já deveriam estar a dormir. Outros têm ansiedade ao pensar em adormecer, porque se preocupam se irão conseguir ouvir o despertador e acordar de manhã.

3|Comportamento desafiante

Não há nada mais frustrante para uma criança com ansiedade do que sentir que a sua vida está fora do seu controlo. Como forma de se sentirem seguras, procuram retomar esse controlo, muitas vezes de maneiras inesperadas e peculiares.

Por exemplo, uma criança que experimenta a enxurrada de hormonas de stresse com a perspectiva de ir para a cama, critica ao receber uma caneca laranja em vez de azul. Incapaz de comunicar o que realmente está a acontecer, é fácil interpretar o desafio da criança como má educação, em vez de uma tentativa de controlar uma situação em que ela se sente ansiosa e desencorajada.

4| Desconcentração

As crianças com ansiedade costumam ficar tão presas aos próprios pensamentos que não prestam atenção ao que está a acontecer ao seu redor. Isso é especialmente problemático na escola, onde se espera que eles prestem atenção a um professor por horas a fio.

5| Evasão

As crianças que estão a tentar evitar uma determinada pessoa, lugar ou tarefa geralmente acabam por atrair mais daquilo que estão a tentar evitar. É uma espécie de pescadinha de rabo na boca. Se o trabalho escolar é a fonte da ansiedade de uma criança, ela fará de tudo para evitá-la. No processo, acabará por ter de fazer mais para compensar o que perdeu. Por outro lado também terá desperdiçado tempo e energia com este “evitamento”, tornando-o uma fonte de maior ansiedade no final.

6| Negatividade

Do ponto de vista neurológico, as pessoas com ansiedade tendem a ter pensamentos negativos com uma intensidade muito maior do que os positivos. Como resultado, os pensamentos negativos tendem a assumir o controlo com mais rapidez e facilidade do que os positivos. Isto fará com que alguém com ansiedade pareça regularmente deprimido.

Crianças com ansiedade são especialmente propensas a esses padrões porque ainda não desenvolveram a capacidade de reconhecer um pensamento negativo como tal e transformá-lo numa conversa interna positiva.

7| Planeamento excessivo

Planeamento excessivo e comportamento desafiador são duas faces da mesma moeda da ansiedade. Se por um lado crianças ansiosas tendem a procurar retomar o controlo através de um comportamento desafiador, também podem fazer com que outros planeiem demasiado para situações em que o planeamento na verdade deveria ser mínimo ou desnecessário.

Uma criança com ansiedade que foi convidada para a festa de aniversário de um amigo pode não apenas planear o que vestir e que presente levar, mas também fará perguntas sobre quem mais estará lá, o que farão, para quem ligar se não se sentir bem, com quem poderá conversar enquanto estiverem lá,…

Preparar-se para todas as possibilidades é uma forma de uma criança com ansiedade assumir o controlo de uma situação que sente como incontrolável.

 

Reconhecer estas formas de ansiedade infantil e como se manifesta nas crianças é importante para as ajudarmos a lidar com as emoções e comportamentos que este estado despoleta.

No contexto de pandemia que vivemos muitas crianças poderão estar a dar sinais de ansiedade sem que estejamos a ser capazes de entender o que se passa com elas. Ao invés, interpretamos mal os sinais. Ficamos zangados, confusos e perdidos, rotulamos as crianças e não sabemos o que fazer.

Se sentirem que o grau de ansiedade infantil é demasiado e se prolonga por muito tempo, não hesitem em procurar apoio profissional para os vossos filhos. Se a saúde física é importante, e quando têm uma gripe não hesitamos em consultar um médico, também a saúde emocional merece a nossa melhor atenção para potenciarmos o bem-estar integral das nossas crianças.

Nuno Rosa

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