Porque ficar acomodado à dor? O conto do cão e o prego

Um homem dirigia há já algum tempo por uma zona deserta. Avistando um posto de gasolina, aproveitou para parar e abastecer.
Parou nesse estabelecimento simples, apenas com uma bomba de gasolina. Sentado numa cadeira estava um senhor com alguma idade e ao lado dele um cão.
O homem desceu do carro aproximou-se e disse:
– Boa tarde, senhor. Pode por favor encher-me o depósito?
O senhor levantou-se e começou a encher o depósito.
Enquanto isso, o homem apercebeu-se que o cão gania de dor. Agoniado ao ver assim o cão, perguntou:
– Este cão é seu?
– Sim, é meu.
– Então deve saber dizer-me porque está ele a ganir de dor?
– Sabe o que é? É que ele está sentado em cima de um prego.
O homem olhou mais atentamente e viu que o cão não estava preso e perguntou:
– Mas… então… porque é que ele não se levanta e sai dali?
– Sabe o que é? É que não lhe dói assim tanto…
O homem compreendeu então o que se passava com o cão:
A dor que sentia era suficiente para ele se queixar, mas não suficiente para ele se mexer…

Esta história tem tanto de cómica como de trágica. Concordas? A verdade é que ficar acomodado a algo que nos causa incómodo ou dor e nada fazer é mais comum do que possamos imaginar…

Mais do que as respostas que nos trazem, aprendi que o que nos coloca verdadeiramente em movimento são as perguntas que nos colocamos.

Assim, pergunto-te:
Tens algum “prego” que te esteja a incomodar?
Será que te queres mesmo livrar dele? O que será que estás a ganhar em manter-te acomodado?
O que ganharias se pudesses mudar de lugar e livrar-te desse “prego”?
O que podes fazer hoje para começares a dar os passos que te libertariam?
Tomar consciência é sempre o passo inicial. Se com estas perguntas já tomaste consciência do que te prende, assume a responsabilidade, confia em ti e põe-te em ação.

Liliana Ferreira

2 Comments

  1. A história é cruel e não tem absolutamente nada de cómico. Há inclusive animais, tal como pessoas, que se mantêm “em cima do prego” porque tem o conforto da dor, numa desconfortável forma de viver e chamar a atenção.
    Não tem absolutamente nada de cómico!

    • Concordo, José. É muito trágico na verdade.
      Eu sei, porque eu estive durante demasiado tempo em “sentada em cima do prego”, de tal forma que o desgaste me levou a desenvolver sintomas de burnout. Então esta história é um alerta para a dor que nos estamos a permitir ou obrigar a viver.
      Vale a pena a dor ou será melhor procurar outro sítio, ainda que lidando com o desconforto da mudança?…
      Cabe a cada um dar a resposta que mais sentido lhe fizer.

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