À mana, à mi… muah! Há surpresas quando a mais nova participa nas reuniões de família…

Reconhecimento

 

Ela tem pouco mais de dois anos e meio, mas fazemos questão que participe nas nossas reuniões de família semanais.

É muito novinha e sabemos que o seu contributo é limitado, mas queremos que desenvolva o sentimento de pertença e por isso não esperamos que adormeça para reunirmos e falarmos dos temas em pauta.

Ela lá está, connosco, onde pertence e a queremos, entre nós. Às vezes está mais quieta, outras vezes irrequieta, mas está.

Numa destas semanas tivemos uma surpresa…

Como é hábito começamos as reuniões de família com agradecimentos e reconhecimentos. A B por norma decide a ordem de quem usa da palavra. A L também gosta deste momento e fica muito entusiasmada quando é a vez dela de falar, embora, à excepção de sorrir e enumerar-nos um a um, não faça propriamente reconhecimentos. Ou antes, não fazia…

De alguma forma ela parece ter compreendido melhor a dinâmica do que julgaríamos possível com a sua idade, porque desta vez na vez dela, foi capaz de dizer:

À mana, à mi… muah. (tradução: a mana deu-me um beijinho).

Perguntámos:

Que bom! E gostaste que a mana te desse um beijinho, é isso?

– É.

E continua…

– À pai, à mi, à mana, eh, eh… à Cai. (tradução: o pai levou-me a mim e à mana a ver o Tiago)

– Foi bom o pai levar-te hoje a veres o teu amigo? Tinhas saudades dele?

– É…

E olha-nos enternecida.

Mais enternecidos ficámos nós ao perceber que, apesar de tão pequena, uma vez envolvida nas dinâmicas de família, ela não só compreende a intenção do que fazemos como, afinal, também é capaz de participar e fazer reconhecimentos de uma forma tão assertiva.

 

Amo-te Pai!

– Amo-te Pai!

Estas têm sido as palavras que mais ouvi sair da boca da minha filha mais velha nestes últimos dias, imbuída pelo entusiasmo de preparar uma surpresa para celebrar o Dia do Pai. Uma alegria contagiante que a muito, muito custo tem conseguido manter a surpresa sem desvendar o que se trata.

Talvez ainda não compreenda plenamente o tamanho da grandeza do seu gesto repetido ao longo das horas que temos de partilha, gesto esse que repõe o meu depósito de afectos nos níveis máximos de Amor e ganha mais importância do que qualquer lembrança ou presente que me possa oferecer neste dia.

Mas dou por mim a pensar, porque não me lembro de alguma vez ter dito ao meu Pai tão importantes palavras, ou até umas mais simples como um simples Gosto de ti. Não que o meu Pai não saiba o quanto gosto dele, ou o valor que dou aos seus períodos de ausência durante a minha meninice para que me pudesse dar a melhor infância possível.

A sua reserva em expor publicamente os seus afectos também me foi transmitida como sendo um legado importante, talvez procurando não demonstrar o que se entendiam como ‘fraquezas’ (no fundo a nossa vulnerabilidade) ou não banalizar a importância de tão sinceros sentimentos. Nunca foi explicito para mim o motivo certo. Confesso que esta perspectiva também me fez sentido, até ao momento em que assumi o papel da paternidade, que me fez reflectir que uma demonstração dos afectos sincera não é um sinal de fraqueza, mas pelo contrário é um sinal de grandeza.

Assim neste dia, claramente ficarei com o meu depósito de carinho cheio por força das surpresas e dos momentos de partilha com as minhas pequenas pedras preciosas me proporcionarão, mas quero também alimentar o espírito de quem é o grande responsável pela minha existência e boa parte da minha experiência.

– Obrigado, Pai! Amo-te!